domingo, 18 de julho de 2010

A Princesa e a Ervilha



Era uma vez um principe que queria casar com uma princesa — mas tinha de ser uma princesa verdadeira. Por isso, foi viajar pelo mundo fora para encontrar uma, mas havia sempre qualquer coisa que não estava certo. Viu muitas princesas, mas nunca tinha a certeza de serem genuinas havia sempre qualquer coisa, isto ou aquilo, que não parecia estar como devia ser. Por fim, regressou a casa, muito abatido, porque queria uma princesa verdadeira.
Uma noite houve uma terrivel tempestade; os trovões rebombavam, os raios rasgavam o céu e a chuva caia em torrentes — era apavorante. No meio disso tudo, alguem bateu a porta e o velho rei foi abrir.
Deparou com uma princesa. Mas, meu Deus!, o estado em que ela estava! A agua escorria-lhe pelos cabelos e pela roupa e saia pelas biqueiras e pela parte de três dos sapatos. No entanto, ela afirmou que era uma princesa de verdade.
— Bem, ja vamos ver isso — pensou a velha rainha. Não disse uma palavra, mas foi ao quarto de hospedes, desmanchou a cama toda e pos uma pequena ervilha no colchão. Depois empilhou mais vinte colchões e vinte cobertores por cima. A princesa iria dormir nessa cama.
Pela manhã, perguntaram-lhe se tinha dormido bem.
— Oh, pessimamente! Não preguei olho em toda a noite! Só Deus sabe o que havia na cama, mas senti uma coisa dura que me encheu de nódoas negras. Foi horrível.
Então ficaram com a certeza de terem encontrado uma princesa verdadeira, pois ela tinha sentido a ervilha através de vinte edredões e vinte colchões. Só uma princesa verdadeira podia ser tão sensível.
Então o principe casou-se com ela; não precisava de procurar mais. A ervilha foi para o museu; podem ir lá ve-la, se é que ninguém a tirou.
Aqui têm uma bela história!
Hans Christian Andersen


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